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- O Ratinho de Carretel
- Metade do Pão-doce
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- Maria Filadélfia, Louca e Catinguenta.
- Joana de Alagoinha – Casada por uma Noite
- A Menina Atacada
- Dalvinha, a Rainha da Festa
- A Queda da Casa de Maria Gorete
- Pedro Amansador de Abelhas
- Bicho de Pé
- A Casa dos Desvalidos
- Bizunga, o Hiperativo
Na pequena cidade de Alagoinha, encravada no agreste pernambucano, toda sexta-feira era dia de açougue. Isso porque não tinham geladeiras na cidade, nem frigoríficos nem nada que pudesse conservar as carnes. Assim, os bois eram mortos na quinta-feira, e na sexta o açougue vendia carne fresca.
A molecada daquele lugar, sem muito o que fazer, de vez em quando inventava umas coisas extravagantes. Uma delas era a pesca de andorinhas: amarravam siriri em uma linha de costura e deixavam os bichinhos voarem perto da igreja. As coitadas das andorinhas engoliam os siriris e os meninos as seguravam pela linha, recolhendo-as. Muitas conseguiam escapar vomitando. Ninguém fazia nada com elas, não se podia comer andorinhas naquela cidade, diziam que eram aves de Deus, porque viviam na Igreja.
Dessa brincadeira surgiu a ideia de pescar urubus. Nos dias de açougue um bando de urubus pousava nas pedras perto do açougue, na espera da limpeza do final da venda, para saborear os restos jogados pelos açougueiros. Um moleque mais ousado teve a ideia de amarrar um pedaço de carne com uma linha grossa e jogar no meio do bando de urubus. Depois que o bicho engolia a isca, puxavam-no devagar, até estar perto o suficiente para outros moleques o segurarem pelas asas e pernas. Era preciso um bando de moleques para domar o bicho. E tinha que ter muito cuidado com o bico forte e fedorento a carniça. Dominado e amarrado, cortavam a linha rente ao bico, para ser mais fácil do urubu engolir.
- Cuidado com o bico. Se bicar vai apodrecer que nem as carniças que ele come! – Alertavam os açougueiros.
Os pescadores de urubu não davam atenção. Queriam é ver quem conseguia pegar mais. A turma de Naldinho tinha mais sucesso, também pudera, seu pai era açougueiro, e ele roubava pedaços de carne suculenta de sua baia no açougue. No final do dia, com os urubus amarrados pelos pés e asas, contavam a pescaria. Depois eram soltos, não tinha o que fazer com eles.
Assim era a diversão em dia de açougue, até que um moleque foi bicado, e por muito tempo ostentou uma ferida feia no braço.
- Vai perder o braço. – Dizia o Dr. Manuel de Zaca, único médico do lugar. – Urubu só come carniça, deve ter passado um monte de doença.
O moleque acabou sarando, depois de muita compressa de folha de mamona esquentada no óleo e chá de velame. Apustemou (criou pus), sarou, apustemou de novo, sarou, e assim por muito tempo, até que sarou de vez, deixando apenar uma cicatriz feia no braço. Outros moleques largaram mão dessas aventuras, voltaram a pescar andorinhas, que era mais seguro.
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Amigo Capitão, sempre que posso leio seus contos. Deixei em favoritos. Parabéns, são ótimos. Cada vez que leio me remete ao nosso nordeste, que conheço pouco mas tenho muita gana de conhecer melhor.
Att
Ismael