O Periquito Verde

A criançada de Alagoinha andava meio que enclausurada em suas casas. Recentemente tinha acontecido um surto de tosse comprida, e muitas crianças sofreram semanas com isso. O surto tinha sido controlado, não havia mais casos na cidade, no entanto o marasmo imperava.

Numa manhã ensolarada, um menino estava olhando pela janela, quando viu um passarinho diferente no pé de trapiá em frente sua casa. Curioso, saiu rapidamente. mais…

A Menina Trepada no Umbuzeiro

Início de ano, época de umbus. O umbuzeiro perto do cemitério estava carregado, ponto de visita obrigatório para os moleques de Alagoinha. Dia de sol forte, ótimo para jogar ximbras (bolinhas de gude) embaixo do umbuzeiro, onde a sombra era abundante, e ainda se deliciar com os umbus.

Os moleques chegaram ao umbuzeiro, mas logo notaram algo estranho: uma criança estava trepada mais…

Metade do Pão-doce

Pai estava trabalhando na construção da estrada Pesqueira Arcoverde, e recebia seu salário toda semana. Não era muito, percebia-se pelo seu semblante meio decepcionado, meio envergonhado, quando apresentava o dinheiro a Mãe. Mesmo pouco, sempre reservava algumas moedinhas para me fazer um agrado, e eu esperava ansiosamente por isso.

Nessa época, na venda de Zé de Zaca mais…

Banhos de Riacho – Corpos Nus.

Memórias de Nico:

( Nicolas e Elizabeth são personagens de um livro meu ainda não publicado.)

“Liza estava com dez anos e eu com onze. Foi um pouco antes de começar o ano letivo (ela ia fazer o terceiro ano primário e eu o quarto) que descobrimos uma trilha que beirava o cafezal, e ia até perto da porteira da fazenda. A trilha seguia até a mata, e passava perto do ingazeiro em cuja sombra costumávamos descansar. Descobrimos um desvio que descia à beirada da mata e levava a um belo riacho de leito pedregoso. Um alargamento logo abaixo de uma pequena cachoeira formava uma cacimba. A água, nessa época, estava bem morna, muito gostosa.

Na primeira vez que estivemos no riacho, tiramos apenas os calçados e brincamos nas margens, entre as pedras. Na segunda vez fomos mais ousados. mais…

Maria Filadélfia, Louca e Catinguenta.

Maria Filadélfia andava que nem louca pelas ruas de Alagoinha. Era uma mulher imunda e esfarrapada, que mendigava seu sustento dia após dia. Muitos a temiam, não somente pela sua loucura, mas também pelo seu porte avantajado. Negra grande, sempre carregava um saco cheio de suas tranqueiras para onde ia, e a catinga denunciava sua presença de longe. mais…

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