Dalvinha, a filha mimada do Prefeito, observava Dedé, um colega de classe. Segundo diziam, era o menino mais pobre da escola, usava roupas bastante desgastadas, no entanto sempre limpas. Quieto por natureza, falava pouco, só se soltando quando colegas vinham pedir ajuda nas lições. Nessas ocasiões abria um sorriso e explicava pacientemente as dúvidas. Era com certeza o menino mais inteligente daquele quarto ano. “Nunca o vejo trazendo merenda” – pensava Dalvinha. “Será que ele sente fome? E se eu oferecer a minha merenda para ele? Será que ele vai se ofender?” – e seguia em suas meditações, tentando achar um caminho. mais…
Parte 1 – Diário dos Últimos Dias (Postagens no Orkut e Facebook)
(25 de maio)
Comecei a escrever isto porque não tinha mais o que fazer. Estou num hospital, internado para tentar resolver um barulho na minha cabeça que me incomoda há dois anos. É um hospital particular muito bom, cheio de mordomias. Uma delas é a possibilidade de uso do meu notebook e conexão à internet.
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Um colega do Recanto das Letras, Mauro Alves me desafiou a contar minha morte. Senti um calafrio e tremi as pernas. Eu, morrer? Gosto tanto da vida. Mas vamos lá, seres curiosos e sedentos necrófilos: hesitei, mas não vou fugir do desafio. Testamento feito, finalmente morri, e foi assim… mais…
Zé de Berenice vinha com seus amigos pela estrada depois de jogarem bola. No caminho, escolhiam um alvo mais adiante, e cada um tinha de chutar a bola para acertá-lo. Na vez dele, o alvo escolhido era uma pedra. Chutou, acertou, mas a bola quicou e caiu dentro do quintal de Seu Chico Porqueiro, criador de porcos. A sorte é que não havia mais porcos por ali, eles tinham sido vendidos na semana anterior. O azar é que havia chovido um pouco, e o quintal estava enlameado com terra misturada com esterco. mais…
Depois de ter jantado, eu estava num gostoso cochilo na varanda, quando meu neto e minha neta vierem me acordar.
- Vovô, conta uma história? Uma daquelas bem assustadoras. – Pediu o menino.
- Não precisa ser muito assustadora, senão depois vou ter sonhos ruins – remendou a menina – e você também, seu medroso.
- Está bem, então só um pouquinho assustadora. mais…

