Meu amor, basta-me…

 

Basta-me a doçura da tua voz,

aqueles beijos roubados,

nossos carinhos trocados

Nos segundos que ficamos a sós.

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A Serpente no Caminho

 

Entardecia no sertão, e a família apressada seguia pelo caminho rumo ao sítio. O pai cadenciava os passos, rápidos o suficiente para que pudessem chegar em casa antes do escurecer, sem no entanto cansar em demasia sua família. Seguiam-no em fila indiana sua esposa, de passinhos miúdos e ligeiros, dois filhos grandes, de andar despreocupado, e no fim da fila o caçula, grande demais para ser carregado, mas pequeno demais para acompanhar o passo dos outros.  De vez em quando precisava dar uma corridinha para recuperar o terreno perdido. mais…

Do Outro Lado da Vida

“Sua esposa acabou de entrar em trabalho de parto. Tudo corre bem”.

A mensagem que recebi do Hospital não me deixava tranqüilo. Sabia que não seria um parto fácil, os médicos já nos tinham alertado sobre eventuais dificuldades. Eu estava quase em pânico, imaginava o pior. Saí da empresa correndo, talvez tenha dito a algum funcionário que iria ao Hospital, não me lembro.

Corri ao estacionamento, tive dificuldades em sair com o carro, de tão nervoso quer estava. Saí dirigindo imprudentemente, em alta velocidade, achando que teria de chegar o mais rápido possível, um caso de vida ou morte. Não vi a curva, apenas um poste no caminho, e depois o apagão. Tudo escuro. mais…

Revoada de Borboletas

 

 

Os meninos passeavam sem ter o que fazer numa manhã de quinta-feira. Do outro lado da praça viram quando Seu Bonerges de Maria, que também não tinha muito o que fazer em sua loja de calçados, descartava algumas caixas vazias de sapatos. Zé Leite logo teve uma idéia:

- Ei! Vamos pedir as caixas de sapatos pro Seu Bonerges e enchê-las de adivinhões! Vamos ver quem acha mais. mais…

Surucucu embaixo da cama

Noitinha, já estávamos nos recolhendo para dormir. Mãe apreensiva, pois suas duas irmãs estavam para chegar de Pernambuco ainda naquele dia. Pai tinha ido encontrá-las na rodoviária e ainda não havia retornado.

Naquela época morávamos nas imediações de Caturaí, um pequeno vilarejo de Goiás, no meu entendimento de menino de um pouco mais de três anos, em plena floresta, da qual morria de medo; para meus pais, apenas um pouco afastados do povoado. Meu pai trabalhava em cantaria, e as pedreiras onde ele sistematicamente transformava gigantescos matacões em paralelepípedos ficavam ali perto. mais…

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