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A criançada de Alagoinha andava meio que enclausurada em suas casas. Recentemente tinha acontecido um surto de tosse comprida, e muitas crianças sofreram semanas com isso. O surto tinha sido controlado, não havia mais casos na cidade, no entanto o marasmo imperava.
Numa manhã ensolarada, um menino estava olhando pela janela, quando viu um passarinho diferente no pé de trapiá em frente sua casa. Curioso, saiu rapidamente.
- Mãe, vou lá fora!
O passarinho bicava os frutos e palrava alegremente.
- Mãe, é um periquito verde! Vem ver!
A mãe veio, olhou admirada, pois era um pássaro que não aparecia frequentemente.
- Que estranho… está sozinho! Esses passarinhos estão sempre em bandos! – e voltou para seus afazeres, enquanto o menino observava.
O periquito voou e pousou em outra árvore. O menino acompanhou. De outra janela outro menino olhou curioso:
- Que foi que houve?
- É um periquito verde. E está sozinho.
Logo o outro saia de casa para ver o periquito. Este voou para outra árvore e foi seguido pelos dois. Outros meninos viram e também começaram a seguir o pássaro que, despreocupado, voava de árvore em árvore, sempre palrando. Um vôo mais longo o levou para perto do campinho, e logo uma turma grande de crianças estavam ali, querendo vê-lo. Alguém trouxera uma bola de capotão. O periquito alçou vôo e desapareceu.
As crianças comentavam o acontecimento entre eles. Ao verem a bola tiveram a idéia de jogar. Dois times se formaram e o periquito foi esquecido, e divertiram-se o resto do dia. No dia seguinte logo cedo, os meninos já se encaminhavam ao campo, e logo a rotina das crianças foi restabelecida e a cidade voltou ao normal.
O periquito nunca mais foi visto. Talvez tenha cumprido sua missão…
(Inspirado no conto “O Piá”, de Nelma Cavalcanti. Infelizmente ela fechou seu blog e retirou a sua versão do ar)
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Lindo teu conto,adorei e teu blog também.
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