O Jardineiro e o Escritor


Tenho um  amigo que é um excelente jardineiro, e também grande apreciador de orquídeas. Sabe compor como ninguém os ambientes dos jardins, sejam eles jardins tropicais, áridos, japoneses, rupestres, ou qualquer que seja a temática. No entanto, duas manias fazem com que ele não seja apreciado pelos admiradores de jardins. A primeira é que ele simplesmente adora orquídeas, e as conhece como ninguém, e sempre faz questão de colocar algumas nos jardins que planeja. Isso, num primeiro olhar fica bonito, mas muitas vezes as orquídeas ficam fora do contexto, parecendo intrusas no ambiente, e também sua beleza encobre outras belezas do jardim: às vezes uma plantinha rústica de formas excêntricas, uma flor com um perfume diferenciado, as composições das plantas singelas típicas do ambiente criado, e por aí vai. Outra mania desse meu amigo é sempre querer plantar um pé de pimenteira em todos seus jardins. Muita gente já falou disso, mas ele não se emenda, plantando pelo menos um pé em cada jardim. Creio que se ele desse mais ouvido a seus admiradores possivelmente alcançaria um sucesso sem precedentes, mas é teimoso que nem uma mula cansada.
Curiosamente tenho outro amigo com as mesmas características, porém em vez de orquídeas, pimenteiras e jardins, este lida com palavras e textos. A mania dele é com as palavras bonitas e raras do nosso vocabulário. Vive a caçar essas orquídeas literárias e a povoar seus escritos com elas. O rapaz tem um raro talento como escritor, sabe escrever de uma forma gostosa e cativante, o porém é que em todo texto quer colocar algumas de suas orquídeas, e isso faz com que seus textos percam um pouco o brilho, ocultando aquela prosa gostosa dependente dos regionalismos, as falas singelas do povo, a  fluidez da linguagem do dia a dia. As palavras belas e raras acabam por se destacar demais no ambiente, quebrando a harmonia dos textos. Além disso também tem a mania do pé de pimenteira, a dele é a descrição de alguma cena erótica. Mesmo não se encaixando bem, ele sempre faz questão de uma pimentinha aqui e ali, o que desqualifica seus textos. Se ele desse mais atenção às sugestões de seus amigos, poderia se tornar um grande escritor, ele tem potencial para isso. Infelizmente eu acho que orquídeas e pimenteiras são muito viciantes, e não tenho esperanças que nenhum dos dois deixe suas manias, e por causa disso perde o mundo um grande jardineiro e um grande escritor.

Avaré, 23 de outubro de 2009.

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2 comentários
  1. Antonio Jota disse:

    Adorei o espaço, Anilto! Ficou lindo… É gratuito ou pago? Se for gratuito, vou fazer o meu http://www...

    Esses teus amigos, hem? Mete a porrada neles… rsrs

    Abração, meu querido! Fiquei contente por vc ter gostado. Desejo a vc tudo de bom nesta vida, de coração. Abraço nordestinense.

    Ah, juro que vou procurar não surtar; vc não merece um amigo grosseiro!

  2. Capitão Anilto Capitão Anilto disse:

    Obrigado pelo comentário. Qualquer semelhança é mera coincidência!

    Este espaço é pago. Tenho um contrato com um provedor a U$ 7,00 mensais (veja http://www.bluehost.com), para hospedagem de meus sites. Não sei se já falei isso, mas desenvolvo sites por hobby, alguns para mim, outros para entidades as quais participo.
    Veja alguns:
    http://www.rc-estancia.org
    http://escotismo.participativo.net
    http://forum.participativo.net
    http://ama.projetosocial.net
    http://gevn.participativo.net

    Tenho os domínios http://www.anilto.com, net e org, http://www.projetosocial.net, participativo.net, aebp.info e org, tradicional.info e aspirantes85.info e org, cada um custa US$ 10,00 anuais. Uso o software WORDPRESS nos sites, SMF nos foruns, e estou testando o MOODLE para eCursos. O interessante de ter uma hospedagem é poder ter quantos domínios quiser. Assim você poderia ter, por exemplo, http://www.antoniojotta.info e os domínios gratuitos textos.antoniojotta.info, tietagens.antoniojotta.info, livros.antoniojotta.info, etc. O porém é haver a necessidade de conhecimento em programação para manter isso, ou ficar na dependência de um programador, o que sai caro. (Nossa, eu falo demais…)
    Abraços

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