Tempos depois um grupo de caçadores entrou na floresta. Junto deles ia dois curumins, Peri e Iberê. A taba estava passando por um período difícil, as colheitas haviam sido pobres, e não havia outro jeito senão caçar mais para saciar a fome de todos. Iam receosos, pois a lenda do caapora estava cada vez mais forte. Incidentes na mata eram atribuídos a ele, assim implantou-se o temor nos índios. mais…
Peri não resistiu, e sua urina desandou. Iberê perdeu a fala. Por algum tempo não puderam se mexer. Somente quando o caapora mandou-lhes seguir até onde estava a estranha índia, conseguiram sair do estupor. Caminharam em silencio, com as pernas bambas, com o caapora logo atrás. A índia ao vê-los, assustou-se, mas caapora logo a acalmou.
Passaram-se dois ou três anos. A tribo mantinha-se como podia, ora com períodos de bonança, ora com dificuldades. Os períodos difíceis, de pouca colheita, poucos frutos na mata, poucos peixes, obrigavam os índios a se valerem da caça, o que lhes trazia grandes preocupações. O caapora continuava atento aos desmandos dos caçadores. Alguns haviam sido açoitados com galhos de urtiga, às vezes tinham seus pés amarrados com embira, às vezes simplesmente postos a correr por causa dos queixadas sempre em movimento alvoroçado. mais…
Nos textos referentes ao “Caapora” alguns termos precisam de um certo esclarecimento, por não serem de uso comum. Fiz um pequeno glossário, objetivando facilitar a leitura e crítica da série “Caapora”. Espero que seja util, e, caso haja incorreções, por favor me informem. Não pesquisei tudo a fundo, posso estar cometendo asnices.
