Meu Boi Babão

- Sai daí, menino. O boi te pega! – Gritou meu tio, ao me ver em cima da cerca do curral.

Era meu passatempo preferido, ir ver os bois. Alguns puxavam arado, e voltavam completamente suados para o curral. Tinha uma parelha robusta que puxava o carro de boi quando ele ia buscar água no açude. Um peso enorme, e o carro vinha rangendo pela estrada. Nessas ocasiões ele deixava eu ir junto. mais…

Papa-fígados

- Vô, vou dar uma volta na praça…

- É tarde. Não tem medo do papa-fígado?

- Que é isso, Vô? Mais uma de suas histórias?

Meu neto, de quinze anos, adorava ficar até mais tarde na praça de Alagoinha onde eu morava, conversando com as meninas. Ele só vinha uma ou duas vezes ao ano me visitar, e se divertia muito nestas ocasiões, entretanto mais…

Pescadores de Urubu

Na pequena cidade de Alagoinha, encravada no agreste pernambucano, toda sexta-feira era dia de açougue. Isso porque não tinham geladeiras na cidade, nem frigoríficos nem nada que pudesse conservar as carnes. Assim, os bois eram mortos na quinta-feira, e na sexta o açougue vendia carne fresca.

A molecada daquele lugar, sem muito o que fazer, de vez em quando inventava umas coisas extravagantes. mais…

Parto de Emergência

Zé Leite e Naldinho estavam a caminho do sítio onde Dedé morava, a quase três quilômetros fora da cidade. Iam visitá-lo, e aproveitar para se deliciar nas mangueiras do sítio, que estavam carregadas das mais doces mangas da região. Zé Leite era órfão, e vivia com suas tias. Pequeno e de pouca idade, não podia ir até lá sozinho, por isso ficou muito feliz quando Naldinho, que era bem maior que ele e mais velho, aceitou o convite para acompanhá-lo, e suas tias finalmente concordaram com o passeio.

Estavam no meio do caminho, quando viram Dedé que vinha correndo esbaforido. mais…

Açude Rachado

Dedé e Davinha estavam na vila do Açude, onde tinham ido auxiliar a Professorinha (como era chamada a Professora Dorotéia) que dava aulas de reforço escolar para a comunidade. Essas aulas tinham sido idéia de Dedé, que vendo a carência daquela gente, convencera uma professora, e conseguira uma sala desocupada para isso. Alguns adultos também assistiam às aulas, e tentavam, com muito esforço, se alfabetizarem, comemorando cada pequena vitória com alegria. Dedé era paciente, e auxiliava os mais velhos, enquanto que Dalvinha, com seu jeito extrovertido, auxiliava os menores.

- Dedé, venha ver! – chamou Seu Antonio, um senhor franzino de cabelos brancos. Quando Dedé se aproximou, ele começou a escrever numa folha limpa, com letras um tanto tremidas, mas corretas e legíveis: “A cidade de Alagoinha é bonita”. – Agora veja isso. – completou com um sorriso. Abriu um livro, e começou a ler pausadamente, os olhos marejados o fizeram parar depois de algumas frases.

- Eu sei ler, Dedé!… Eu sei ler! – e começou a chorar. Dedé o abraçou. mais…

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