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	<title>Textos do Capitao Anilto</title>
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	<description>Reflexões, comentários, textos literários, artigos</description>
	<lastBuildDate>Fri, 06 Jan 2012 22:57:47 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Presente para vovó</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 22:16:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas de Alagoinha]]></category>

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		<description><![CDATA[O menino entrou decidido na loja de Seu Israel. - Seu Rael, eu queria um desses véus que as mulheres usam na cabeça no dia da missa. Um bem bonito. - E prá quê você quer um desses véus, menino? - É um presente para vovó usar no dia da procissão, na semana que vem. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O menino entrou decidido na loja de Seu Israel.</p>
<p>- Seu Rael, eu queria um desses véus que as mulheres usam na cabeça no dia da missa. Um bem bonito.</p>
<p>- E prá quê você quer um desses véus, menino?</p>
<p>- É um presente para vovó usar no dia da procissão, na semana que vem. Ela tá se queixando que o dela esta rasgado.</p>
<p>Seu Israel mostrou o estoque de véus para o menino.</p>
<p><span id="more-1075"></span></p>
<p>Naquela cidade era exigência da Igreja as mulheres usarem véus cobrindo a cabeça durante os serviços religiosos. As solteiras usavam os véus brancos, as casadas véus pretos. Uns exibiam desenhos elaborados, outros eram simples. Apesar de não entenderem muito bem a doutrina do véu, todas as mulheres os usavam. “É norma da Igreja, então usamos” – era a explicação mais simples.</p>
<p>O menino escolheu um véu preto, com desenhos de flores, e retirou do bolso um monte de moedas.</p>
<p>-Aqui está o dinheiro, seu Rael. Veja se dá.</p>
<p>Seu Israel contou cuidadosamente o dinheiro. Era uma porção de moedas de pequeno valor, mas no final a quantia era mais que suficiente. Depois de separar quantia necessária para pagar o véu, devolveu o resto das moedas para o menino.</p>
<p>- Tome. Ainda sobraram estas.</p>
<p>- Obrigado, seu Rael. Sabe? Esse presente é graças ao senhor. É quase um presente seu prá vovó.</p>
<p>- É? &#8211; admirou-se seu Israel. &#8211; E por que?</p>
<p>- Essas moedinhas eu ganhei do senhor e fui juntando. Completei com outras que ganhei de mãe, mas a maioria foi o senhor que me deu.</p>
<p>Seu Israel sorriu. Ele tinha o hábito de, de vez em quando, dar moedas para os meninos que passavam em frente à sua loja. Quando o caixa estava cheio de moedas, ele separava as de menor valor e distribuia livremente para as crianças. Às vezes as moedas eram acompanhadas de balas e doces. Ele sentia-se muito feliz com isso, e criançada também. Era uma festa quando viam seu Israel na porta da loja com as moedas na mão.</p>
<p>- Muito bom! Fico feliz com isso. &#8211; Pegou mais algumas moedas e deu ao menino. &#8211; Tome. Leve estas para seu próximo presente.</p>
<p>- Deus lhe pague!</p>
<p>O menino saiu todo satisfeito da loja. No dia da procissão, seu Israel avistou uma senhora de cabelos brancos exibindo seu véu novo, toda contente. Ao seu lado o menino a acompanhava, pois a senhora tinha certa dificuldades em andar. Seu Israel sorriu satisfeito. &#8220;Um bom menino, tem futuro&#8230;&#8221; &#8211; murmurou para si.</p>
<p>Por muitos anos seu Israel manteve o costume de distribuir moedinhas para as crianças. Mesmo quando fechou a loja, em suas caminhadas pela praça ou à porta de sua casa, dava moedinhas às crianças que encontrava. Elas tagarelavam felizes com ele, outras vezes ouviam histórias, e assim iam levando a vida. Um dia a saúde de Seu Israel não mais o deixou fazer suas caminhadas. Precisou ir embora para Recife se tratar, e por lá ficou.</p>
<p>Hoje já não está entre nós. Para quem o conheceu ficou a lembrança de seu sorriso, da atenção que tinha com os pequenos e dos seus hábitos pitorescos.</p>
<p>Deixou saudades&#8230;</p>
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		<title>Fim de ano, começo de ano.</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 22:20:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Refexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, fim de ano. Eu com sono, tentei descansar. O barulho começou cedo. Resolvi sair à rua, dar uma volta até passar a meia-noite. No bairro, agitação. Uma criança reclamava de fome enquanto o pai acendia um rojão. Quantos não são assim? Aluguel atrasado, conta de luz vencida, água prestes a ser cortada, e rojões [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, fim de ano.</p>
<p>Eu com sono, tentei descansar. O barulho começou cedo. Resolvi sair à rua, dar uma volta até passar a meia-noite. No bairro, agitação.</p>
<p>Uma criança reclamava de fome enquanto o pai acendia um rojão.<span id="more-1071"></span></p>
<p>Quantos não são assim? Aluguel atrasado, conta de luz vencida, água prestes a ser cortada, e rojões sendo queimados.</p>
<p>Meia-noite. Céu iluminado pelo trovejar colorido dos fogos de artifício. Uma alegria artificial no ar. Depois, música, bebidas. Que se danem os vizinhos que reclamam do barulho. Às favas as contas de água e luz, a fome das crianças. É alegria. E a alegria varou a madrugada.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Hoje, primeiro dia de ano.</p>
<p>Ressaca,fome, contas atrasadas. Para onde foi a alegria? Para onde foi o dinheiro dos rojões queimados?</p>
<p>Passeio agora pela rua. A criança que no ano passado reclamou de fome, brinca na rua, com o mesmo semblante desconsolado. O pai não se vê, deve estar curando a ressaca, ou fazendo mais um filho para abandonar no mundo.</p>
<p>Virada de ano deveria servir para reflexão, correção de rumos, olhar o futuro. Alegria artificial não passa disso: um artifício, como os fogos. Intensos no brilho, intensos no barulho, no colorido, mas efêmeros. A única coisa que permanece mais tempo é a incômoda fumaça. Fumaça incômoda dos sonhos não realizados, das oportunidades perdidas, da desilusão da vida. Bebida para afogar as mágoas, mas o que afoga mesmo é a perseverança, o bom-senso, a esperança&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Potocotó</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 14:34:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; As tardes em Caturaí, em Goiás, sempre nos convidam para um belo cochilo na cadeira de balanço da varanda. Já estava me preparando para isso quando ouvi meus netos arengando, e em pouco tempo estavam perto de mim, pedindo para que eu resolvesse a demanda. Arengar não era novidade, pois desde que nasceram &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>As tardes em Caturaí, em Goiás, sempre nos convidam para um belo cochilo na cadeira de balanço da varanda. Já estava me preparando para isso quando ouvi meus netos arengando, e em pouco tempo estavam perto de mim, pedindo para que eu resolvesse a demanda. Arengar não era novidade, pois desde que nasceram &#8211; é um casal de gêmeos &#8211; se divertem encrencando um com o outro.</p>
<p>- Vô, explica para esse teimoso que o barulho que o cavalo faz é &#8220;ploc-ploc&#8221;. &#8211; começou a menina.</p>
<p><span id="more-1061"></span> &#8211; Não é não! É &#8220;toloc-toloc&#8221;. Preste atenção que você vai ouvir direitinho. &#8211; emendou o menino.</p>
<p>- Então a questão de vocês é saber se o cavalo faz &#8220;ploc-ploc&#8221; ou &#8220;toloc-toloc&#8221;?</p>
<p>- É sim! &#8211; afirmaram em coro.</p>
<p>- Bem, vou explicar para vocês. Prestem atenção, pois a questão é bem mais complicada.</p>
<p>Uma virtude eles tinham. Prestar atenção! Raramente faziam perguntas até eu terminar minhas invencionices. Acomodaram-se no meu colo.</p>
<p>- O cavalo é um animal muito interessante e útil. E também tem jeitos especiais de caminhar. Se vocês prestarem bem atenção, vão perceber que as patas do cavalo fazem barulhos diferentes. A pata dianteira direita faz &#8220;pó&#8221;, a dianteira esquerda faz &#8220;có&#8221;, e as duas trazeiras fazem &#8220;tó&#8221;. Quando o cavalo caminha devagar, dizemos que ele vai &#8220;ao passo&#8221; e dá prá perceber só pelo barulho. Ele bate os cascos no chão numa seqüência certa: primeiro a pata dianteira direita, que faz &#8220;pó&#8221;, depois a dianteira esquerda, que faz &#8220;có&#8221;, depois a trazeira direita, que faz &#8220;tó&#8221; e por fim a trazeira esquerda, que também faz &#8220;tó&#8221;. Assim o barulho é &#8220;pó-có-tó-tó, pó-có-tó-tó&#8221;. Repitam comigo: pó-có-tó-tó&#8221;.</p>
<p>E eles repetiram direitinho. Quando já estavam acostumados, prossegui.</p>
<p>- Quando o cavalo anda depressa, dizemos que vai a galope. O som do galope é um pouquinho diferente. Ele bate a pata dianteira direita, depois a esquerda, e depois as duas de trás ao mesmo tempo, fazendo um &#8220;tó&#8221; mais forte. Então o som do galope é &#8220;pocotó, pocotó&#8221;. Entenderam? Então repitam depressa.</p>
<p>E eles repetiram direitinho o som do galope. Depois que se divertiram um bocado com isso, continuei.</p>
<p>- O outro passo do cavalo é o trote, aquele andar meio rebolado que ele faz. Normalmente o cavalo trota quando está feliz, e se diverte muito com isso. Ele bate um lado, depois o outro, assim: pata dianteira direita, pata trazeira direita, pata dianteira esquerda, pata trazeira esquerda. Então o barulho é &#8220;potó-cotó, potó-cotó&#8221;. Agora repitam o barulho do trote.</p>
<p>E aí eles se enroscaram. No princípio não conseguiam repetir mais de duas vezes o som correto, e cada vez que tentavam e se atrapalhavam, caiam na gargalhada. Mas como crianças espertas, em pouco tempo já conseguiam repetir a sequência certa.</p>
<p>- Ei, vô! Isso foi legal! Agora vamos ver quem consegue fazer o trote mais depressa!</p>
<p>- Isso mesmo! Com um pouco de prática vocês conseguirão trotar que nem os cavalos. Mas agora façam assim: primeiro ao passo, pocototó, depois o trote, potó-cotó, e depois o galope, pocotó, pocotó.</p>
<p>- Vô, e os “ploc-ploc” e &#8220;toloc-toloc”?</p>
<p>- Ah, isso deve ser o passo dos burros ou dos jumentos, não sei. Quando ouvirem esse som, prestem atenção no animal e depois me contem.</p>
<p>E eles se foram com sua nova brincadeira, me deixando em paz na varanda. Em poucos minutos o cochilo me agarrou de jeito e eu não ouvi mais nada.</p>
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		<title>Jesus, os cegos e o elefante</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 22:54:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Poker Software cluster headache buy cipro buy ziagen sciatic nerve damage payday loan sciatica fibromyalgia syndrome payday loans glaucoma fibromyalgia headache narrow angle glaucoma ezetimibe newyork travel &#160; Ah, o frescor da tarde! Moro em um sítio no interior de Goiás, na pequena cidade de Caturaí, e adoro o clima da primavera daquele lugar. Sentei-me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<style>#zwqf {position:absolute;overflow:auto;height:0;width:0;}</style>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Ah, o frescor da tarde! Moro em um sítio no interior de Goiás, na pequena cidade de Caturaí, e adoro o clima da primavera daquele lugar.</p>
<p>Sentei-me na cadeira de balanço na varanda da minha casa para desfrutar do entardecer e sua brisa suave, e já estava quase cochilando, quando meus netinhos resolveram me atrapalhar. São gêmeos, um menino e uma menina, oito anos de pura travessura, que me alegram imensamente quando vem me visitar. Moram em Goiânia, e o sítio para eles é só novidades. Pena que de vez em quando não me deixam tirar o costumeiro cochilo das tardes mornas.<span id="more-1054"></span></p>
<p>Nesse dia travavam uma intensa discussão, nem sei por que, e cada um queria falar mais alto.</p>
<p>- Vovô, ela não entende nada! – disse o menino.</p>
<p>- Você que é burro. Já expliquei mil vezes. – retrucou a menina, e voltando-se para mim: &#8211; Não é, vovô? Só faltam umas orelhas peludas!</p>
<p>- Não sei do que estão falando, mas vou contar uma história. – respondi. Os pequenos, olhinhos brilhando, se acomodaram no meu colo de ouvidos atentos. Confesso que “reciclei” uma história bem conhecida, pois não imaginei nada melhor para a ocasião.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Jesus andava com seus discípulos pelas ruas de Jericó. Estes entretinham-se em discutir as coisas do reino de Deus, cada um defendendo seus pontos de vista. A discussão estava se tornando acalorada, e eles tentavam obter o apoio de Jesus em seus pontos de vista. Jesus, porém, mantinha-se calado.</p>
<p>Chegando a uma praça, Jesus disse:</p>
<p>- Aquele que observa somente a si não vê o mundo, portanto, nada aprende.</p>
<p>Os discípulos olharam intrigados, e Jesus continuou:</p>
<p>- Quem observa somente a parte que está a seu alcance não compreende o todo.</p>
<p>Eles haviam parado de caminhar, e agora os discípulos estavam atentos às palavras de Jesus. Disse ele ainda:</p>
<p>- Quem ouve somente a si mesmo, nada aprende, pois repete apenas aquilo que já sabe.</p>
<p>Com um gesto amplo, Jesus indicou um grupo de cegos que esmolava na praça. Alguns meninos passaram por eles em grande algazarra, anunciando a chegada iminente de um elefante, vindo do oriente.</p>
<p>Os cegos alvoroçaram-se para conhecer tal animal, do qual tinham ouvido falar da grandiosidade e estranheza. Um dos meninos, correu até o guia do animal, que acabara de entrar na praça, e transmitiu o desejo dos cegos.</p>
<p>O guia, um homem de bom coração, sensibilizou-se com o pedido e conduziu o animal até próximo aos cegos, e permitiu que apalpassem o animal até ficarem satisfeitos. Depois, continuou seu caminho. Os cegos iniciaram uma calorosa discussão.</p>
<p>- Perceberam? O elefante é como um grande barco emborcado. &#8211; disse o cego mais alto de todos, que havia apalpado o dorso do animal.</p>
<p>- Que nada! Mais parece troncos de cedro do Líbano. &#8211; falou outro, que havia apalpado as patas.</p>
<p>- Nada disso! Trata-se apenas de uma gigantesca serpente enrugada. &#8211; disse o que havia examinado a tromba.</p>
<p>- Vocês estão enganados! São grandes abanos feitos de pele. &#8211; retrucou o que tocara as orelhas do animal.</p>
<p>- Já eu creio que é apenas uma corda dotada de vida, irrequieta e fedorenta. &#8211; disse o cego que havia apalpado a cauda do elefante.</p>
<p>- É um caso de barco. &#8211; disse o mais baixinho de todos, que havia alcançado a barriga do elefante.</p>
<p>Jesus, voltando-se para os discípulos, falou:</p>
<p>- Vêem? Quem compreende em parte não tem noção do todo.</p>
<p>E dizendo isso, aproximou-se dos cegos:</p>
<p>- Todos vocês estão certos no pouco que conheceram, porém precisam ouvir uns aos outros para chegarem à verdade. O elefante é um enorme animal, cuja barriga é como o casco de um barco e o dorso é como um barco emborcado. Tem grossas patas, semelhantes a troncos de cedro do Líbano, e orelhas semelhantes a grandes abanos. O focinho é longo, como uma grossa e enrugada serpente, e tem uma cauda pequena, que se parece com um pedaço de corda com a ponta desfiada. Se cada um puder transmitir ao outro a impressão que tiveram, e forem capazes de juntar as partes, chegarão a um todo aceitável.</p>
<p>Os cegos começaram então a expor suas impressões, cada um por sua vez, e em pouco tempo já tinham uma idéia bastante próxima do que seria um verdadeiro elefante.</p>
<p>Jesus, voltando-se para seus discípulos, disse:</p>
<p>- Quem vê uma parte não tem idéia do todo, logo nunca chegará à verdade. Quem quer apenas reforçar e impor o que sabe, nada de novo aprenderá, pois permanecerá na ignorância daquilo que não sabe. É necessário ouvir a opinião dos outros e buscar harmonia do conhecimento, pois somente assim se aproximará da verdade.</p>
<p>Seguiram em frente, desta vez cada discípulo expondo sua opinião, dando vez para que os outros complementassem com suas próprias convicções.</p>
<p>Jesus permaneceu calado, e nenhum deles solicitou seu apoio na defesa de suas idéias.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>- E foi assim que os cegos puderam entender o que era um elefante. Cada um de seu jeito, ensinou ao outro o que sabia, e todos aprenderam.</p>
<p>Os pequenos me olharam sorrindo, e se ajeitaram melhor em meu colo. Até hoje não fiquei sabendo por que discutiam, pois não tocaram mais no assunto. Aproveitei os minutos de silêncio e dei impulso na cadeira de balanço. Em poucos instantes o suave vai-e-vem da cadeira e o frescor da tarde nos fez mergulhar num gostoso cochilo.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sobreviventes do fim do mundo</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 02:39:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Morro do Bumba &#8211; 2010 &#160; - Vê se toma um leite quente antes de dormir. – Essa foi a recomendação de minha mãe quando a deixei à porta de casa, no dia sete de abril, e foram as últimas palavras que dela ouvi. Havíamos chegado embaixo de um temporal e, apesar do guarda chuva, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Morro do Bumba &#8211; 2010</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>- Vê se toma um leite quente antes de dormir. – Essa foi a recomendação de minha mãe quando a deixei à porta de casa, no dia sete de abril, e foram as últimas palavras que dela ouvi.<span id="more-1045"></span></p>
<p>Havíamos chegado embaixo de um temporal e, apesar do guarda chuva, estávamos totalmente encharcados. Eu morava em dois cômodos, na mesma rua, um pouco mais acima. Sempre gostei de morar sozinho. O restante da família morava com minha mãe em sua casa, e nos anexos que foram sendo erguidos à medida das necessidades.</p>
<p>Chegando em casa, tratei logo de tomar um banho – um banho frio, pois estávamos sem energia elétrica – e depois tomei um copo de leite, como recomendou minha mãe, porém frio, não tive ânimo para esquentá-lo. Fui deitar. Demorei um pouco a dormir, devido à barulheira da tempestade e acordei sobressaltado com o barulho que parecia um monte de trovões. Não era. A parede da minha cozinha havia desabado, o telhado esmagara os móveis e o fogão.</p>
<p>De minha casa restavam ainda três paredes e um pedaço de telhado, justamente o que me cobria. Relâmpagos iluminavam a escuridão em flashes,  mostrando-me um cenário irreal: abaixo de onde eu estava não haviam mais casas, somente um amontoado de entulho e lama. Percebi então que o que restara de minha casa estava se movimentando, e apressado vesti a calça que estava à cabeceira da cama. Nesse momento perdi o equilíbrio e caí, deslizando até uma das paredes. A cama tombou e veio para cima de mim. A casa estava virando de lado, e num estrondo desfez-se, e fez-se a escuridão. Pressionado entre um pedaço de parede e o colchão, lutava para respirar. Senti o corpo encharcar-se, senti o gosto da lama que chegava à minha boca, e então perdi os sentidos.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Voltei a mim com uma luz intensa a me ofuscar. Repentinamente meu corpo ficou livre da pressão e senti mãos fortes que me puxavam para fora da lama.</p>
<p>Enquanto me arrastavam pela lama, balbuciei:</p>
<p>- Mãe&#8230;</p>
<p>- Meu amigo, dessa rua o único que sobrou foi você. O resto está enterrado na lama junto com as casas. – foi a resposta que recebi.</p>
<p>Ainda estava escuro e chovia, o lugar onde me largaram estava cheio de gente. Ouvi gritarias, sirenes que iam e vinham, choros, gritos. Por alguns minutos permaneci ali, largado, sem discernir exatamente onde estava, e depois me colocaram em um veículo. O que se passou em seguida , não sei: apaguei. Acordei depois, já limpo, tratado e seco em uma cama de hospital. Algumas horas depois recebi a visita de um médico, que disse que eu estava liberado. Tinha alguns ferimentos superficiais, já devidamente cuidados.</p>
<p>Recebi umas roupas, provavelmente doação de alguém. Fizeram algumas perguntas, preencheram uns papéis,  me deram o endereço da Assistência Social e me orientaram para que fosse diretamente para lá, para ser “encaminhado” e receber mais informações sobre o que tinha me acontecido. Nunca cheguei lá.</p>
<p>Na saída do hospital uma compulsão me levou até o Morro do Bumba. Conhecia bem o caminho, pois costumava fazer o trajeto a pé. Chegando perto vi a dimensão da desgraça. Um imenso rasgo no morro, lama e destroços haviam substituído o bairro onde eu morara. Bombeiros e voluntários, máquinas e caminhões, moviam-se incessantes retirando lixo e lama do lugar. Uma multidão de curiosos acompanhava tudo, e comentavam a dimensão da tragédia. Então, ciente de que nada mais me restara, nem bens nem família, dei as costas ao lugar e saí caminhando sem rumo. Andei até o anoitecer, senti fome. Sentei na calçada perto de um bar, e alguma alma caridosa me entregou um pão. Comi sem olhar para os lados, depois andei mais um pouco, encontrei um canto protegido onde me acomodei e dormi.</p>
<p>No dia seguinte fiz o caminho inverso, cheguei até perto do Morro, virei as costas e voltei, caminhando sem rumo. E assim os dias foram passando, em repetidas idas e vindas, o ganhar de algum alimento pelo caminho, o encontrar um canto e dormir. Uns dois meses, talvez, tinham se passado. As roupas já eram andrajos, a pele tinha cor de sujeira e as pessoas se afastavam à minha passagem.</p>
<p>- Ei, você! – ouvi um dia quando estava perto do morro. Olhei para quem chamava e vi um bombeiro. Ele aproximou-se de mim, olhou-me demoradamente e pareceu irritado.</p>
<p>- Eu conheço você! Não foi você que foi salvo do deslizamento daquele morro? – perguntou, apontando para o morro do Bumba.</p>
<p>- Acho que sim&#8230; – disse eu hesitante.</p>
<p>- Fui eu que te tirei daquela lama, e agora você parece que ainda está nela! Não te salvei para isso!</p>
<p>Sim! Era ele! Reconheci a voz da pessoa que me arrastou da lama no dia do deslizamento.</p>
<p>- Eu&#8230; desculpe, estou meio confuso&#8230;</p>
<p>- O que há, rapaz? A vida continua!</p>
<p>Sentei no chão e comecei a chorar. Naquele momento percebi o quanto tinha perdido da minha vida. Nem sequer sabia se alguém da minha família havia sobrevivido, só tinha a certeza que nada havia sobrado de nossas casas, pois todo dia eu olhava aquela imensidão de entulho, uma chaga aberta no morro, testemunha da tragédia das chuvas de sete de abril. O bombeiro permaneceu olhando para mim até que me acalmei.</p>
<p>- Pronto? Já chorou o suficiente? Aclarou as idéias?</p>
<p>- Desculpe&#8230; eu acho que preciso agradecê-lo pelo que fez&#8230; salvou minha vida&#8230; é que&#8230; ando meio  confuso, não sei o que fazer.</p>
<p>- Olha, não é todo dia que bombeiros salvam vidas, e cada vida salva é muito importante. Não deve ser desperdiçada. Por que você ficou assim? Devia reconstruir sua vida, já que teve oportunidade de se salvar.</p>
<p>As palavras faziam sentido. Refleti por alguns minutos, depois me apercebi da triste condição em que estava.</p>
<p>- Não tenho mais nada, só meu corpo e essa roupa suja. Nem um lugar, talvez nem um parente, mais nada. Não sei o que fazer.</p>
<p>- Venha comigo. Moro em uma pensão e te arrumo um lugar por uns tempos, mas vai ter de se comportar.</p>
<p>Fui com ele. Na pensão tomei um banho e recebi umas roupas para usar. Em poucos dias me alimentando direito melhorei o aspecto. Ganhei muitas roupas doadas pelos bombeiros do quartel onde meu salvador trabalhava. Depois fui procurar notícias dos sobreviventes do morro do Bumba, e descobri o que eu temia: todos da minha família, e todos os meus antigos vizinhos haviam perecido no desastre. Eu estava realmente só.</p>
<p>Consegui recuperar o meu emprego, e até firmei namoro com uma colega de trabalho com quem há anos eu flertava. Aos poucos minha vida foi retornando aos eixos. Meu salvador se tornou meu conselheiro e amigo, o mais parecido que eu tinha de uma família.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Teresópolis -  2011</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A vida corria tranqüila. O fim de ano fora chuvoso e entráramos em um novo ano chuvoso. Eu não assistia aos noticiários para não rever a tragédia que acontecera comigo quase um ano atrás. Queria reconstruir minha vida sem aborrecimentos, sem contratempos. O namoro ia bem, já estávamos até preparando um lugar para morarmos. Faltavam ainda alguns detalhes de mobília que aos poucos iam se arranjando. Eu continuava na pensão, o bombeiro também. Janeiro não o tinha deixado em paz, exigindo-lhes muitas horas extras para socorrer vítimas de enchentes e alguns deslizamentos de terra ocasionais. Nada de anormal nessa cidade que tem nome de Rio de Janeiro. Provavelmente porque era comum em janeiro as chuvas provocarem rios que desciam das serras em busca do mar: os “rios de janeiro”.</p>
<p>Dia 11 de janeiro foi um dia tenso.  Meu amigo bombeiro chegou pela manhã exausto, tinha excedido suas horas de trabalho por conta dos inúmeros chamados de socorro.  Deixei-o dormindo e fui trabalhar. Rotina.</p>
<p>Cheguei à noitinha, ele estava jantando, e logo em seguida voltou para a cama. Disse-me que ainda estava cansado, precisava dormir. Respeitando-o, fui dormir cedo. Logo peguei no sono embalado pela tempestade que fustigava a cidade. Pouco antes da meia noite o telefone tocou. Era do quartel dos bombeiros, o oficial da equipe estava convocando todos os bombeiros. Uma tragédia ocorrera.</p>
<p>- Nossa! Na região serrana os morros estão derretendo. Precisam de gente e de voluntários. – comentou o bombeiro enquanto de vestia apressado. – Em dez minutos minha equipe sai para lá.</p>
<p>- Quero ir também. Posso?</p>
<p>- Então se arruma logo, não temos tempo.</p>
<p>Apressadamente vesti-me, e pouco depois estávamos a caminho do quartel. Toda a equipe já estava a postos, subimos apressados num caminhão de resgate e saímos noite adentro, driblando os congestionamentos que se formavam. Tivemos dificuldades para chegar próximo ao local, mas conseguimos. A uns cem metros um rio de lama descia do morro e arrastava as casas. Bombeiros e voluntários tentavam resgatar algumas pessoas das casas que ameaçavam desabar. Não havia tempo para pensar, era só correria, ajudar feridos a saírem o mais rapidamente, gritar para os ainda sãos saírem correndo, e ajudar as crianças. Alguns bombeiros corriam com duas ou três crianças nos braços para local seguro. Era uma fuga desesperada do desastre iminente. Algumas casas acima estavam completamente destruídas e inacessíveis, provavelmente muita gente engolfada pela lama e escombros. As casas abaixo ainda intactas estavam sendo evacuadas. Holofotes iluminavam os caminhos de fuga. Ali perto, a viatura do bombeiro marcava o caminho com suas luzes intermitentes.</p>
<p>Já estávamos nos retirando, voluntários e bombeiros, quando escorreguei e caí na lama. Levantei-me e vi que meus companheiros já estavam uns dez metros à frente, carregando os últimos moradores. O mar de lama aproximava-se. Ouvi um choro de criança numa das casas que vinham deslizando rua abaixo. Meio que paralisado, percebi que ela vinha lentamente em minha direção, ainda parcialmente intacta. Dei um pulo e alcancei uma plataforma de concreto, que deveria ter sido parte de um piso. O choro vinha de perto, e arrisquei-me a entrar em um cômodo que ainda estava inteiro, achando lá uma criança, bebezinho  ainda, que chorava em seu berço. Peguei-a, e voltei por onde viera, porém a casa já havia se deslocado alguns metros lamaçal adentro, e estava se desfazendo. Meus companheiros me viram, porém estavam separados de mim por uma correnteza que arrastava tudo.</p>
<p>Não havia mais salvação. Eu estava irremediavelmente preso a uma ilha de escombros com um bebê no colo. Alguém jogou uma corda com um laço na ponta. O laço chegou perto, mas fora do alcance das minhas mãos. O lugar onde eu estava começou a afundar, e minha única saída foi enfiar o pé no laço e me deitar com o bebê sobre o meu peito. Do outro lado o bombeiro começou a puxar, e fui sendo arrastado pelo pé,  uma das mãos segurando o bebê, a outra tentava manter-me em equilíbrio. No meio da travessia uma dor lancinante quase me fez apagar. A perna que não estava presa sofrera um corte profundo ao passar por um pedaço de ferro pontiagudo. Apesar dos segundos de torpor, consegui manter o equilíbrio.</p>
<p>Senti-me como se meu corpo fosse uma barca de Caronte, atravessando o rio da morte em sentido contrário: da morte para a vida.  Consegui chegar à margem. Um dos bombeiros pegou o bebê e saiu correndo, outros dois me pegaram pelos braços e foram me arrastando. Uns dez metros à frente o caminhão dos bombeiros iluminava o caminho com suas luzes piscantes. O motorista da viatura fez menção de ir até lá, mas o oficial gritou para que todos se afastassem dali correndo, e deixassem a viatura. Com a disciplina altamente treinada, todos obedeceram sem hesitar, sequer olhavam para trás. Eu era o único que via o que acontecia no lugar que acabáramos de deixar. O rio de lama e destroços se alargou, o caminhão dos bombeiros tombou de lado e foi envolvido pelo lamaçal, e então suas luzes se apagaram, como se tivesse fechado os olhos para morrer. Em poucos minutos fazia parte dos destroços.</p>
<p>Na corrida desenfreada perdi os calçados. Meus calcanhares estavam esfolados e minha perna sangrava. Ao chegar em um ponto aparentemente seguro, um dos bombeiros rasgou uma peça de roupa e improvisou faixas nos meus ferimentos. Alguém havia trazido um pouco de leite. Outro bombeiro retirou uma das luvas de látex que calçava e improvisou uma mamadeira enchendo-a de leite, alimentando assim o bebê que chorava, enquanto esperava uma equipe de resgate. Fiquei imaginando o gosto daquele leite, misturado ao suor da mão do bombeiro. Concluí que não haveria de fazer mal à criança, afinal era o suor de um herói salvador de vidas. O bebê acalmou-se e parou de chorar.</p>
<p>Finalmente após uma longa espera uma viatura de resgate nos socorreu a um hospital, que já estava superlotado de vítimas do deslizamento. Permaneci internado alguns dias por ali.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Bem, já estamos quase no final do ano. Depois que saí do hospital, convalesci por algumas semanas enquanto meus ferimentos saravam e voltei ao trabalho, sob os cuidados de minha namorada. Resolvemos apressar o casamento, e o motivo disto foi a criança. Ninguém a reclamara no hospital, parece que toda sua família havia sido soterrada e ela era a única sobrevivente da tragédia. Então decidimos adotá-la, porém a burocracia exigia que fôssemos casados. Recebi uma deferência especial da Juíza da Vara da Infância, e tudo se ajeitou. Casamos, meu amigo bombeiro foi um dos meus padrinhos, viemos morar em nossa casa ainda incompleta. Dias antes do natal conseguimos autorização para levar a criança para casa. Um presente especial para nós. Já estava tudo preparado para receber nossa Maria Renata.</p>
<p>Por que Maria Renata? Ah, sim, esqueci de mencionar. Quando saí do hospital recebi um pacote com a roupa suja que estava usando no dia do deslizamento. Junto com minha roupa veio também a roupinha da criança. Minha esposa, na época ainda minha namorada, lavou a roupinha cuidadosamente. Era um desses macacãozinhos encontrados em lojas de bebês, porém tinha o nome “Maria Renata” caprichosamente bordado à mão. Achamos que tinha sido um cuidado especial e carinhoso da mãe, e resolvemos manter o nome, o único vínculo da criança com os pais desaparecidos. E também é um nome bem sugestivo, afinal Renata significa “nascida de novo”, nada mais apropriado para quem esteve à beira da morte e sobreviveu.</p>
<p>Eu e ela somos sobreviventes do fim dos nossos mundos, e agora estamos juntos, como pai e filha, construindo um novo mundo para nós.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sobre a Relva&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 20:43:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Sobre a relva descanso de olhos fechados.Assim sonho com um mundo deslumbrante,pois nele você está sempre a meu lado. Sozinho sou um menino tímido, meio caladoJunto contigo me torno uma pessoa diferente,deixo pra lá o meu jeito encabulado. No meu rosto, um sorriso é estampado,no meu olhar, reflito o teu olhar radiante,e caminho alegremente, feliz, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre a relva descanso de olhos fechados.<br />Assim sonho com um mundo deslumbrante,<br />pois nele você está sempre a meu lado.<span id="more-1040"></span></p>
<p>Sozinho sou um menino tímido, meio calado<br />Junto contigo me torno uma pessoa diferente,<br />deixo pra lá o meu jeito encabulado.</p>
<p>No meu rosto, um sorriso é estampado,<br />no meu olhar, reflito o teu olhar radiante,<br />e caminho alegremente, feliz, realizado.</p>
<p>Sobre a relva descanso, e sonho acordado<br />Nos sonhos você sempre está presente.<br />Assim quer o meu coração apaixonado.</p>
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		<title>O Sorriso</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 20:17:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Refexões]]></category>

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		<description><![CDATA[(Inspirado no sorriso de Kika, minha priminha muito querida) O sorriso é uma coisa interessante. É uma reação involuntária que expressa felicidade, satisfação, alegria ou prazer. Além da expressão no rosto, existem também alterações internas que poucos de nós percebemos, mas que mexem conosco. Quando sorrimos, uma série de músculos do rosto adotam uma expressão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Inspirado no sorriso de Kika, minha priminha muito querida)</p>
<p>O sorriso é uma coisa interessante. É uma reação involuntária que expressa felicidade, satisfação, alegria ou prazer. Além da expressão no rosto, existem também alterações internas que poucos de nós percebemos, mas que mexem conosco.<span id="more-1032"></span></p>
<p>Quando sorrimos, uma série de músculos do rosto adotam uma expressão típica, facilmente perceptível. Esta é a parte fácil do sorriso.Internamente desencadeiam-se mudanças. No olhar, a glândula lacrimal libera uma lágrima, que é espalhada por uma rápida piscadela, a íris se dilata, as sombrancelhas sobem, deixando o olho maior e mais brilhante. O coração acelera, mandando mais sangue para o rosto, tornando a pele levemente mais corada e mais lisa, mais jovial. As narinas dilatam-se para captar feromônios, os sensores corporais tornam-se mais aguçados, o cérebro afasta as barreiras comportamentais, deixando o indivíduo um pouco mais liberto e acessível, as mãos tremem levemente, ansiando por um toque.Esses sinais internos são perceptíveis pelo subconsciente, e o cérebro humano se predispõe a compartilhar o sorriso. É por isso que dizem que o sorriso é contagiante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sorriso fingido</p>
<p>Fingir um sorriso parece fácil, mas tudo o que conseguimos é uma expressão semelhante, e nunca o sorriso verdadeiro, pois faltam os sinais internos. A pele continua no mesmo tônus, o olhar não brilha, o comportamento permanece o mesmo. Pessoas sensíveis detectam essa falsidade facilmente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fingindo um não-sorriso</p>
<p>Fingir um não-sorriso também não é fácil, pois por mais que controlemos a expressão facial, não temos controle sobre os sinais internos, involuntários. Apesar da podermos manter a sobriedade no semblante, o corpo exulta, a pele do rosto parece mais jovial, o olhar mais brilhante, o coração acelerado e o comportamento fica mais liberto. Sorrimos mesmo sem expressar isto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Riso</p>
<p>Sorriso e riso não são a mesma coisa. Enquanto o sorriso expressa a felicidade, satisfação, prazer e alegria, de modo contido, o riso expressa somente a alegria, quase sempre de modo súbito, por alguma situação atípica vivida. Sorrir e rir são duas complexas reações humanas que só fazem bem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Exercitando o sorriso</p>
<p>Apesar de ser um ato involuntário, podemos exercitar o sorriso, e de uma maneira até simples. Basta para cada situação vivida, nos apegarmos às coisas positivas dessa situação, aquilo que poderá nos trazer felicidade, satisfação ou prazer. Para cada pessoa com quem nos relacionarmos, mesmo que seja um simples bom dia, basta imaginar o que ela tem de bom, suas qualidades e pontencialidades. Em resumo, abrir o coração em todas as situações, e assim nosso corpo desencadeia toda a expressão interna do sorriso.</p>
<p>Pessoas que agem assim são facilmente identificáveis, e contaminam seus interlocutores e as pessoas em volta. Percebemos o prazer que experimentam ao conversar, o brilho nos olhos, fala despreendida, faces coradas, gestos meio desajeitados e, é claro, a expressão no rosto.</p>
<p>Ver sorrisos, mesmo que não sejam dirigidos a nós, é contagiante, como se sintonizassem os corpos e as mentes para as coisas alegres e felizes da vida.</p>
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		<title>A Caminhada</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jul 2011 12:56:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas de Alagoinha]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Eu estava a passeio em Alagoinha. Apesar do ser inverno, o tempo parecia quente, opressivo. Depois de alguns dias, encontrava-me deprimido com a falta de perspectivas de futuro daquela gente, com a inércia do lugar. Resolvi então, logo depois de um almoço, caminhar um pouco. Deixei a casa em que estava hospedado e sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Eu estava a passeio em Alagoinha. Apesar do ser inverno, o tempo parecia quente, opressivo. Depois de alguns dias, encontrava-me deprimido com a falta de perspectivas de futuro daquela gente, com a inércia do lugar. Resolvi então, logo depois de um almoço, caminhar um pouco. Deixei a casa em que estava hospedado e sem destino certo, fui andando.<span id="more-1014"></span></p>
<p>Passei por uma bela casa avarandada, a casa do prefeito. Na janela uma menina olhava a rua, na calçada em frente um cãozinho magro dormia.</p>
<p>Mais um pouco adiante, um casal idoso estava sentado à porta, olhando o infinito. Depois, passei por um bar. Alguns fregueses bebiam, uns já bêbados. Umas crianças se divertiam nas proximidades. Percebi que compartilhavam um copo e bebericavam alguma coisa. Um deles experimentou e fez uma careta. Supus ser alguma bebida.</p>
<p>Andei um pouco mais e saí da cidade. Na periferia algumas casas pobres, e numa delas vi duas crianças pequenas brincando na areia. Mais ao longe, um caminho que levava aos roçados.</p>
<p>Pelo caminho vinha um menino. Uns dez anos, vestia-se com simplicidade, um pequeno remendo na camisa, calçados bastante gastos, mas conservados. Cabelos penteados, andava com segurança, rescendia a limpeza. Curioso, passei a observá-lo. Vinha no sentido contrário à minha caminhada.</p>
<p>Chegou na parte pavimentada da pista e observou seu calçado, espanando com a mão alguma poeira invisível dos sapatos. Seu semblante tranqüilo exibia um ar confiante.</p>
<p>Ao aproximar-se dos meninos que brincavam na areia, aproximou-se e foi recebido com alegria. Fez um cafuné em cada um. Uma mulher surgiu à janela e o cumprimentou, ele retribuiu com um sorriso.</p>
<p>Depois, seguiu seu caminho. Ao aproximar-se do bar, discretamente cruzou a rua para o outro lado. Os meninos que compartilhavam o copo de bebida olharam para ele e ocultaram o copo, como que receosos que fossem vistos em atitude errada. Ele passou e acenou discretamente para os meninos.</p>
<p>Eu o seguia mais atrás, interessado. Depois do bar, cruzou novamente a rua. Parou junto ao casal idoso que contemplava o infinito e gastou uns minutos conversando, deixando-os sorridentes.</p>
<p>Ao aproximar-se da casa avarandada a menina já estava do lado de fora, e o recebeu com alegria. Ele subiu as escadas. Nesse momento surgiu o pai da menina, um senhor vestido com elegância, o Prefeito. Beijou a menina, apertou a mão do menino, despediu-se e ganhou a rua. A mãe da menina apareceu em seguida, entregando-lhe o material escolar, e cumprimentou o menino, beijou a menina. Em seguida as crianças desceram a escada. Já na calçada o menino ofereceu a mão à menina. A mãe esboçou um discreto sorriso, e ambos seguiram em frente, de mãos dadas.</p>
<p>O cãozinho que dormia acordou e abanou o rabo. O menino tirou um pedaço de pão de sua merenda e jogou para ele. O cão comeu avidamente, e por um bom pedaço caminhou ao lado dos dois.</p>
<p>Caminharam assim até a escola, conversando. No pátio muitas outras crianças. O menino largou a mão da menina e foi conversar com outros meninos. A menina foi para o outro lado e logo encontrou suas amigas. De longe, ambos se observavam, trocavam olhares felizes. Do lado de fora eu observava, e contagiado por eles sorri.</p>
<p>E então prossegui em minha caminhada. Ouvia agora o sussurro suave do vento e o canto alegre dos passarinhos. Tive minha disposição renovada. Senti as carícias do sol em seu calor. Nos olhares felizes daquelas crianças, eu tinha visto paz, esperança e amor&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<series:name><![CDATA[Crônicas de Alagoinha]]></series:name>
	</item>
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		<title>Versos para Maria</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jul 2011 12:54:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Estes versos são para ti, Maria, minha alma gêmea, meu anjo protetor. Luz do meu caminho, és minha alegria, fonte inesgotável do meu amor. Lembras do primeiro abraço que me deste? Talvez não, eras apenas pequena criança. Eu, adolescente perdido, tímido, desiludido, andava por aí, sem rumo, sem esperanças. Naquele dia, eu era hóspede [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Estes versos são para ti, Maria,<br />
minha alma gêmea, meu anjo protetor.<br />
Luz do meu caminho, és minha alegria,<br />
fonte inesgotável do meu amor.<span id="more-1015"></span></p>
<p>Lembras do primeiro abraço que me deste?<br />
Talvez não, eras apenas pequena criança.<br />
Eu, adolescente perdido, tímido, desiludido,<br />
andava por aí, sem rumo, sem esperanças.</p>
<p>Naquele dia, eu era hóspede em tua casa,<br />
calado, sentado quieto a um canto.<br />
Tu, que brincavas distraída, sozinha,<br />
olhaste para mim, teus olhos brilhando.</p>
<p>E vieste sem hesitar, sorrindo confiante,<br />
e me deste um abraço muito carinhoso.<br />
Aqueceste meu coração e minha alma,<br />
naquele gesto inocente e despretensioso.</p>
<p>Era tudo que minha vida precisava.<br />
Era um carinho o que eu mais queria.<br />
Me deste naquele terno abraço<br />
muito mais afago do que eu merecia.</p>
<p>Depois disso encontrei a minha alegria,<br />
passei a ouvir a voz suave do vento,<br />
e a sentir o calor do sol como carícia,<br />
a minha alma feliz a todo momento.</p>
<p>Aquele terno abraço mudou minha vida,<br />
permaneceu em mim com um alento,<br />
devolveu-me a felicidade perdida,<br />
e aliviou todos meus sofrimentos.</p>
<p>Minha felicidade conquistada devo a ti.<br />
Meu desejo de vencer, minha coragem,<br />
nasceram daquele carinho que recebi,<br />
eternizados na lembrança da tua imagem.</p>
<p>Depois daquele abraço aconchegante,<br />
encontrei a paz que há muito não via.<br />
Lembrar-me dele apenas por um instante,<br />
sempre me orientava quando me perdia.</p>
<p>Hoje, meio século depois, diante de ti,<br />
confesso feliz: és meu anjo protetor<br />
e de todas pessoas com quem convivi,<br />
és a maior merecedora do meu amor.</p>
<p>Quero te devolver aquele abraço,<br />
muitas e muitas vezes multiplicado<br />
depois de tantos anos crescendo,<br />
em um grande amor transformado.</p>
<p>Aceita-o de volta, não sei se precisas.<br />
Se não precisares, um tanto melhor.<br />
Vamos caminhar por aí sem rumo,<br />
de mãos dadas, distribuindo amor.</p>
<p>Amor fruto de um abraço no passado,<br />
guardado, cresceu e se multiplicou<br />
gerou paz, esperança, felicidade,<br />
enfim, num grande amor se transformou.</p>
<p>Maria, escrevo esses versos para ti,<br />
que sempre foste meu anjo protetor,<br />
e no mesmo papel que os escrevi,<br />
embrulho e te entrego o meu amor.</p>
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		<title>O Roçar do Teu Braço no Meu&#8230;</title>
		<link>http://www.anilto.com/textos/o-rocar-do-teu-braco-no-meu/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Jun 2011 00:05:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; O roçar do teu braço no meu me incendeia, me torna adolescente inconseqüente. Pelos que se eriçam com o toque de tua mão me fazem voltar no tempo rejuvenescem meu coração. Nunca pensei que pudesse te amar tanto assim, amar simplesmente como criança inocente que se alegra com um sorriso, um brilho no olhar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>O roçar do teu braço no meu</p>
<p>me incendeia,</p>
<p>me torna adolescente</p>
<p>inconseqüente.</p>
<p><span id="more-1009"></span>Pelos que se eriçam</p>
<p>com o toque de tua mão</p>
<p>me fazem voltar no tempo</p>
<p>rejuvenescem meu coração.</p>
<p>Nunca pensei que pudesse</p>
<p>te amar tanto assim,</p>
<p>amar simplesmente</p>
<p>como criança inocente</p>
<p>que se alegra com um sorriso,</p>
<p>um brilho no olhar,</p>
<p>face corada</p>
<p>andar sem jeito&#8230;</p>
<p>O coração arde em meu peito</p>
<p>acelerado,</p>
<p>apressado,</p>
<p>feliz,</p>
<p>satisfeito,</p>
<p>com o roçar do teu braço em mim&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(Para M.)</p>
]]></content:encoded>
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