Eu era uma pessoa amargurada e triste, inconformada com a vida. Detestava gente, trabalhava para sobreviver somente. Minha angústia afastava a todos e me isolava do mundo. Deprimido, considerava morrer. Finalmente um acidente de carro me levou no limiar da vida a um hospital. Pessoas desconhecidas me trataram, me alimentaram. Família e amigos que eu sempre desprezara permaneceram ao meu redor. Sobrevivi. A dor do acidente retirou a dor do viver.
Hoje, numa cadeira de rodas, abrindo a janela eu vejo: uma criança que brinca, um velho rindo à toa, um pássaro que voa, árvores e flores na praça, um carro que passa, homens andando apressados, casais enamorados. Multicolorida, da minha janela eu vejo a vida!
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