- Por que vivemos aqui? – perguntou Piatã a Ibirá, certo dia.
Ibirá então contou o costume dos índios. Assim soube que era um curumim condenado, que sobrevivera por conta da coragem de sua mãe de abandonar a aldeia e submeter-se ao julgamento da natureza. Por pouco tempo pareceu triste, mas logo sua alegria voltou, juntamente com suas correrias pela floresta com a vara de porcos. mais…
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Um estranho silêncio tomava conta da mata quando Ibirá acordou. Além de dores agudas, sentia toques gelados e úmidos em seu corpo. Quando o atordoamento do sono passou, percebeu que estava cercada por um bando de filhotes de queixadas, os quais, curiosos, fuçavam seu corpo. Uma pontada aguda em seu abdômen fez com que ela emitisse um grito de dor, o que assustou os filhotes, mas logo eles estavam de volta. mais…
O morubixaba e o pagé dirigiram-se pela manhã à oca de Ibirá. Haviam decidido que Ibirá permaneceria na aldeia até o nascimento do curumim, quando então seria levada à Taba do Grotão, assim que possível. Sua cria teria o destino de costume. Tão logo nascesse, seria entregue a alguns índios, que deveriam levá-lo para o seio da floresta. Não precisava dizer que deveria ser morto lá, pois os índios eram suficientemente temerosos para deixá-lo vivo. mais…
Enquanto se preparava para dormir, Ibirá ouvia o canto lamentoso do urutau, o que combinava bem com sua aflição. Depois de algum tempo, encolheu-se na rede sem esperanças de conciliar no sono. Estava agoniada demais para dormir, e remoía as últimas descobertas sobre sua vida. Pensava em Cauã, o qual jamais veria novamente. Não recriminava sua atitude, sabia que não havia opções. Cauã embrenhara-se na floresta com a intenção de nunca voltar. mais…

