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Do Outro Lado da Vida

“Sua esposa acabou de entrar em trabalho de parto. Tudo corre bem”.

A mensagem que recebi do Hospital não me deixava tranqüilo. Sabia que não seria um parto fácil, os médicos já nos tinham alertado sobre eventuais dificuldades. Eu estava quase em pânico, imaginava o pior. Saí da empresa correndo, talvez tenha dito a algum funcionário que iria ao Hospital, não me lembro.

Corri ao estacionamento, tive dificuldades em sair com o carro, de tão nervoso quer estava. Saí dirigindo imprudentemente, em alta velocidade, achando que teria de chegar o mais rápido possível, um caso de vida ou morte. Não vi a curva, apenas um poste no caminho, e depois o apagão. Tudo escuro. mais…

Revoada de Borboletas

 

 

Os meninos passeavam sem ter o que fazer numa manhã de quinta-feira. Do outro lado da praça viram quando Seu Bonerges de Maria, que também não tinha muito o que fazer em sua loja de calçados, descartava algumas caixas vazias de sapatos. Zé Leite logo teve uma idéia:

- Ei! Vamos pedir as caixas de sapatos pro Seu Bonerges e enchê-las de adivinhões! Vamos ver quem acha mais. mais…

Surucucu embaixo da cama

Noitinha, já estávamos nos recolhendo para dormir. Mãe apreensiva, pois suas duas irmãs estavam para chegar de Pernambuco ainda naquele dia. Pai tinha ido encontrá-las na rodoviária e ainda não havia retornado.

Naquela época morávamos nas imediações de Caturaí, um pequeno vilarejo de Goiás, no meu entendimento de menino de um pouco mais de três anos, em plena floresta, da qual morria de medo; para meus pais, apenas um pouco afastados do povoado. Meu pai trabalhava em cantaria, e as pedreiras onde ele sistematicamente transformava gigantescos matacões em paralelepípedos ficavam ali perto. mais…

Açude Rachado

Dedé e Davinha estavam na vila do Açude, onde tinham ido auxiliar a Professorinha (como era chamada a Professora Dorotéia) que dava aulas de reforço escolar para a comunidade. Essas aulas tinham sido idéia de Dedé, que vendo a carência daquela gente, convencera uma professora, e conseguira uma sala desocupada para isso. Alguns adultos também assistiam às aulas, e tentavam, com muito esforço, se alfabetizarem, comemorando cada pequena vitória com alegria. Dedé era paciente, e auxiliava os mais velhos, enquanto que Dalvinha, com seu jeito extrovertido, auxiliava os menores.

- Dedé, venha ver! – chamou Seu Antonio, um senhor franzino de cabelos brancos. Quando Dedé se aproximou, ele começou a escrever numa folha limpa, com letras um tanto tremidas, mas corretas e legíveis: “A cidade de Alagoinha é bonita”. – Agora veja isso. – completou com um sorriso. Abriu um livro, e começou a ler pausadamente, os olhos marejados o fizeram parar depois de algumas frases.

- Eu sei ler, Dedé!… Eu sei ler! – e começou a chorar. Dedé o abraçou. mais…

Papa-fígados

- Vô, vou dar uma volta na praça…

- É tarde. Não tem medo do papa-fígado?

- Que é isso, Vô? Mais uma de suas histórias?

Meu neto, de quinze anos, adorava ficar até mais tarde na praça de Alagoinha onde eu morava, conversando com as meninas. Ele só vinha uma ou duas vezes ao ano me visitar, e se divertia muito nestas ocasiões, entretanto mais…

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