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Minha mãe esqueceu-se de mim…


… mas seu sorriso continua lindo. O seu esquecimento fez com que eu me lembrasse das coisas da minha infância, e hoje sou eu que conto isso para ela. Muitas vezes ela sorri, às vezes não me entende, às vezes um lampejo de lembrança, e a cada visita mais e mais vou recordando bons momentos.

Falo sozinho na maior parte do tempo, mas me basta o sorriso dela iluminando minhas recordações para que eu compreenda as lições que ela ensinava.

Quanta sabedoria negligenciei ao longo de nossa convivência, e hoje, em seu silencioso esquecer, ensina-me cada vez mais a viver.

Cadela Vadia
cadela vadia

Ela apareceu um certo dia num cantinho da rua que eu passava diariamente. Assustei-me ao vê-la, ela apenas levantou os olhos, um olhar de súplica e submissão, humanizado. Continuou deitada…

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O Carteiro e a Rua Sombria


A rua era escura, casas fechadas por muros altos, as árvores nas calçadas mantinham a eterna penumbra. Ernesto, o carteiro, detestava fazer as entregas naquele lugar. Até já pedira para trocar de setor. Felizmente fora atendido. Mas ainda precisava entregar as correspondências pela última vez naquele lugar, no dia seguinte, um domingo, estaria de folga, e depois iria para outro setor. mais…

Amor Deficiente


Patrícia, uma criança difícil, tornou-se uma adolescente rebelde, detestava os irmãos mais novos, detestava crianças. Aos 17 anos deixou sua casa, engravidou de um colega das noitadas. Nasceu-lhe um filho deficiente, e sem ter a quem recorrer, se viu obrigada a cuidar dele sozinha. Tornou-se uma mãe resignada, até que aos seis anos o menino conseguiu balbuciar pela primeira vez a palavra “mamãe”. Ela tornou-se uma mãe dedicada. Aos dezesseis, quando ele articulou “mãe, eu te amo”, Patrícia tornou-se uma mãe realizada.


Da Minha Janela Eu Vejo…


Eu era uma pessoa amargurada e triste, inconformada com a vida. Detestava gente, trabalhava para sobreviver somente. Minha angústia afastava a todos e me isolava do mundo. Deprimido, considerava morrer. Finalmente um acidente de carro me levou no limiar da vida a um hospital. Pessoas desconhecidas me trataram, me alimentaram. Família e amigos que eu sempre desprezara permaneceram ao meu redor. Sobrevivi. A dor do acidente retirou a dor do viver.

Hoje, numa cadeira de rodas, abrindo a janela eu vejo: uma criança que brinca, um velho rindo à toa, um pássaro que voa, árvores e flores na praça, um carro que passa, homens andando apressados, casais enamorados. Multicolorida, da minha janela eu vejo a vida!


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