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	<title>Textos do Capitao Anilto</title>
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	<description>Reflexões, comentários, textos literários, artigos</description>
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		<title>A Cascavel no Pé de Gabiroba</title>
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		<pubDate>Sat, 15 May 2010 02:34:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Poker Software cluster headache buy cipro buy ziagen sciatic nerve damage payday loan sciatica fibromyalgia syndrome payday loans glaucoma fibromyalgia headache narrow angle glaucoma ezetimibe newyork travel Era uma tarde ensolarada. Pai e Mãe tinham ido a São Geraldo fazer não-sei-o-quê e me deixaram aos cuidados de Beija, uma menina-moça nossa vizinha. Morávamos na última [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<style>#zwqf {position:absolute;overflow:auto;height:0;width:0;}</style>
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<p><br class="spacer_"></p>
<p>Era uma tarde ensolarada. Pai e Mãe tinham ido a São Geraldo fazer não-sei-o-quê e me deixaram aos cuidados de Beija, uma menina-moça nossa vizinha. Morávamos na última esquina da última rua de Caturaí, um pequeno vilarejo de Goiás. Do outro lado da rua somente havia a mata grande e o sítio dos pais de Beija.<span id="more-206"></span></p>
<p>Resolvemos vadiar um pouco pela propriedade. Caminhamos pelo pasto abandonado, cheio de trilhas de carros de boi em direção ao riacho, onde sempre nos divertíamos em suas águas preguiçosas que corriam entre as pedras, formando aqui e ali cacimbas. Beija não tinha nenhum pudor em despir-se para um bom banho naquelas cacimbas. Era um local deserto, dificilmente visitado pelas pessoas. Quanto a mim, nos meus quase quatro anos de idade era pura inocência. Adorava brincar na água com ela, e depois descansar em seu colo, onde quase sempre acabava dormindo. Mas dessa vez não chegamos ao riacho.</p>
<p>Ouvimos ali perto o pio do Jaó, uma ave arisca e muito engraçada. Andava sacudindo a cabeça de um lado para outro, como que espreitando o caminho, e de vez em quando parava, emitindo seu assobio típico, um sussurro que soava mais ou menos como “Senhor Juiz&#8230;”. Resolvemos tentar observar as aves. Caminhando cuidadosamente nos aproximamos da fonte dos assobios. De repente os vimos: um bando de uns oito jaós, que bicavam avidamente gabirobas caídas no chão, quase embaixo da gabirobeira carregada com seus frutos dourados. Logo em seguida os jaós correram alvoroçados. Achamos que tinham nos percebido. Então resolvemos nos deliciar na gabirobeira.</p>
<p>Fui na frente, e quando estava chegando perto, o grito urgente de Beija me fez estacar. As crianças do sertão logo cedo aprendem a reconhecer o tom de perigo nos gritos dos mais velhos, não importando a palavra usada. Beija aproximou-se de mim cautelosamente, colocou a mão no meu ombro e apontou embaixo do pé de gabiroba. A poucos metros, na sombra,  já enrodilhada, estava uma enorme cascavel preparada para o bote.</p>
<p>Beija foi me arrastando lentamente para trás, e quando a distancia permitiu, gritou:</p>
<p>- Corre!</p>
<p>Saímos em desabalada carreira pelas trilhas dos carros de boi, e só paramos dentro da cozinha da mãe de Beija.</p>
<p>- Que é isso? &#8211; Perguntou a mãe de&nbsp; B<span style="font-weight: bold;"></span>eija assustada. &#8211; Viram assombração?</p>
<p>- Mãe! Uma cascavel. Enorme. Debaixo do pé de gabiroba. Quase pegou a gente&#8230; &#8211; Beija falou resfolegante.</p>
<p>- Era enorme! A cabeça dela era do tamanho da cabeça de Beija! &#8211; acrescentei entusiasmado.</p>
<p>- Eita! Era uma cascavel ou uma sucuri?</p>
<p>- Cascavel. &#8211; disse eu &#8211; Sucuris são muito maiores. Pai disse que tinha uma sucuri no mato que quando batia as pestanas parecia gente batendo palma.</p>
<p>- Nossa! Essa era grande! &#8211; caçoou.</p>
<p>- Pai disse que um dia uns índios estavam caçando, e uma sucuri engoliu um deles de uma bocada só. Passou inteiro pela goela dela. A sorte é que a sucuri estava com caganeira e ele saiu do outro lado rapidinho. Nem chegou a perder o fôlego. Passou três dias tomando banho para sair o cheiro. Agora o povo chama ele de &#8220;Piriri de Sucuri&#8221;.</p>
<p>- Deixa de gaiatice e come um bolo. – riu a mãe de Beija, e trouxe bolo de fubá e um jarro de suco de limão rosa.</p>
<p>Depois da comilança, Beija sentou-se na cadeira de balanço da varanda. Eu me ajeitei em seu colo, e um minuto depois estava dormindo. Acordei de noitinha, minha mãe tinha vindo me buscar. Ao chegar em casa, a rotina daqueles tempos: lavar-se, jantar, ouvir umas músicas no rádio a pilha e depois dormir. Não podíamos ficar muito tempo com o candeeiro a querosene aceso, senão nossas narinas amanheciam pretas da fumaça.</p>
<p>Naquela noite sonhei com cobras de todo jeito: cascavéis enormes, surucucus, cobras-cipó, e uma gigantesca sucuri que batia as pestanas barulhentamente, cuja cabeça lembrava o rosto de Beija.</p>
<p>No dia seguinte, Beija passou logo cedo em casa e deixou uma cesta cheia de gabirobas, redondinhas, douradas e tão doces quanto ela.</p>
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		<title>Transfiguração</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 23:39:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Infantil]]></category>
		<category><![CDATA[aflição]]></category>
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		<description><![CDATA[Num vilarejo pequeno próximo a uma grande floresta, vivia uma família humilde, o casal e quatro filhos. As crianças mais velhas eram bastante bem comportadas, porém a mais nova, um menino de uns três anos era terrível. Resmungão, não parava de incomodar seus irmãos, tinha grande predileção pela sujeira e péssimos hábitos . Quando comia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><strong> </strong><strong> </strong></p>
<p>Num vilarejo pequeno próximo a uma grande floresta, vivia uma família humilde, o casal e quatro filhos. As crianças mais velhas eram bastante bem comportadas, porém a mais nova, um menino de uns três anos era terrível. Resmungão, não parava de incomodar seus irmãos, tinha grande predileção pela sujeira e péssimos hábitos . Quando comia sempre dava um jeito de enfiar a mão no prato e misturar tudo. A cada dia que passava tornava-se pior, para desespero de seus pais, que não sabiam mais o que fazer. O vilarejo todo comentava o jeito difícil do menino, tão diferente dos irmãos.<span id="more-46"></span></p>
<p>Um dia, antes de completar cinco anos de idade, o pequeno levado resolveu fugir de casa. Seus pais e irmãos o procuraram por toda parte, mas não conseguiram nenhuma informação sobre o paradeiro do menino, e depois de muito tempo de buscas, acabaram acreditando que algum animal da floresta o havia levado.</p>
<p>O menino, na verdade, escondera-se na floresta e permanecia nas tocas e nas moitas mais fechadas, evitando deliberadamente as pessoas. Alimentava-se de frutos, raízes e insetos, como se fosse um animal. Estava feliz, porque podia sujar-se à vontade sem ninguém reclamando e o obrigando a tomar banho. Passados uns dois anos cansou-se dessa vida de bicho e resolveu retornar para sua gente.</p>
<p>Chegou em casa à tardezinha, quando todos já se haviam recolhido, e achou estranho a porta parecer tão alta. Não conseguindo abri-la resolveu bater na porta, o que fez com grande estardalhaço, assustando a família, que estava reunida para o jantar. O pai foi ver o que acontecia.</p>
<p>Quando a porta se abriu o menino tentou falar, mas só saíram grunhidos de sua boca. O pai por sua vez não viu pessoa alguma, encontrando apenas um porquinho que olhava para ele de maneira curiosa. A família toda foi ver o que acontecera, e resolveram colocar o porquinho num chiqueiro no fundo do quintal. A verdade é que o menino se <strong><em>transfigurara</em></strong> naquilo que seu comportamento parecia: um porquinho. A família sem ter idéia disso resolveu engordá-lo, pois faltavam alguns meses para o fim de ano, e até lá ele estaria gordo o suficiente para um belo assado&#8230;</p>
<p><em><span style="color: #ff0000;">Às crianças que ouvem esta história: cuidado com a transfiguração.</span></em></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><em>Ela pode ocorrer com qualquer um que tenha um comportamento difícil, e não é só naquele vilarejo que isso acontece. Se você for agressivo, a transfiguração será canina, se for teimoso, será asnina, se for estúpido, será eqüina, se for de muita timidez, será avestruzina, se for de falta de higiene bucal, será jiboial, se for de desordem, será macacal, de preguiça será preguiçal, de sujeira, será suína. Existem transfigurações para muitas coisas.</em> </span></p>
<p>Ah, vamos continuar a história, chega de advertências.</p>
<p>O fim de ano estava chegando, o porquinho já bem gordo. Ele, no entanto, ainda conservava sua consciência humana apesar da transfiguração, e sabia que dali a poucos dias iria acabar servindo de comida no almoço de fim de ano, e se desesperava por sua triste condição.</p>
<p>Já estava em tempo de preparar o porco. Toda família iria ajudar, pois isso é uma coisa que dá muito trabalho. O pai foi à floresta buscar lenha, enquanto as crianças lhe davam a última alimentação.</p>
<p>Na floresta o pai juntava galhos em feixes, para levar para casa. De repente apareceu Curupira, dando-lhe um grande susto, mas não ficou com muito medo, pois sabia que Curupira só judiava daqueles que faziam mal à floresta e seus habitantes, e isto ele nunca fizera. Curupira, então, entregou-lhe um porco, já amarrado para o transporte, dizendo-lhe que achava que o castigo já era suficiente, e que ele deveria libertar o outro porco, usando o que lhe entregara para o assado de fim de ano. O pai, mesmo sem entender nada, partiu dali levando o porco amarrado, sem querer fazer perguntas para Curupira.</p>
<p>Chegando em casa tratou logo de ir ao chiqueiro, acompanhado da família, que estava admirada por ele ter trazido outro porco. Para surpresa de todos, assim que foi libertado, o porco que estava no chiqueiro começou a <em><strong>destransfigurar-se</strong></em>, voltando a ser novamente menino, para alegria de todos, só um pouco maior e mais gordinho. Desde esse dia tornou-se uma criança de excelente comportamento. É bem verdade que ainda adora brincar nas poças de lama, mas sempre tendo o cuidado de não sujar demasiadamente as roupas, e de tomar banho depois.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Capitão Anilto</p>
<p>Outubro de 2009</p>
</div>
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		<title>A Neve Meu Pé Prende</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 01:05:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Capitão Anilto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Infantil]]></category>
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		<category><![CDATA[criança]]></category>
		<category><![CDATA[formiguinha]]></category>
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		<description><![CDATA[Para estrear minha área de escritos, relembro essa velha cantilena dos meus tempos de criança. Minha tia costumava valer-se dela para nos fazer dormir mais cedo, quando já não tinha mais paciência para aturar a mim e a meus irmãos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Para estrear minha área de escritos, relembro essa velha cantilena dos meus tempos de criança. Minha tia costumava valer-se dela para nos fazer dormir mais cedo, quando já não tinha mais paciência para aturar a mim e a meus irmãos. Não é uma história original, existem algumas versões sendo contadas por aí, mas sempre é bom relembrar as coisas da nossa infância.</p>
<p>Não conheço o autor, só sei que é uma historinha antiga, muito antiga&#8230;</p>
<p><span id="more-7"></span></p>
<p>Então, aí vai a minha versão:</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<hr />
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: medium;"> </span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: medium;">A Neve meu pé prende.</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: medium;"> </span></strong></p>
<p>Era uma vez uma formiguinha muito esperta, que estava em seu formigueiro bem abrigado do mau tempo. Do lado de fora a neve cobria o solo, e estava bastante frio, mas o sol brilhava e já começava a derreter a neve.</p>
<p>A formiguinha, muito inquieta, resolveu sair para dar um passeio. Mal pôs o pé fora de seu formigueiro, ficou com ele preso na neve. Então perguntou aborrecida:</p>
<p>- Neve, por que você é tão forte que meu pé prende?</p>
<p>A Neve então lhe respondeu:</p>
<p>- Mais forte é o sol que me derrete.</p>
<p>Então a formiguinha, insatisfeita, voltou-se para o sol:</p>
<p>- Sol, por que você é tão forte que derrete a Neve e a Neve meu pé prende?</p>
<p>O Sol respondeu:</p>
<p>- Ah, Formiguinha, mais forte é a parede que me tapa!</p>
<p>A Formiguinha, libertando seu pé da Neve procurou a Parede e perguntou:</p>
<p>- Parede, por que você é tão forte que tapa o Sol, o Sol derrete a Neve e a neve meu pé prende?</p>
<p>A Parede, intrigada com a curiosidade da Formiguinha, respondeu:</p>
<p>- Formiguinha, mais forte é o Rato, que me rói.</p>
<p>A Formiguinha procurou o Rato, que estava ocupado roendo um queijo, e perguntou:</p>
<p>- Rato, por que você é tão forte que rói a Parede, a Parede tapa o Sol, o Sol derrete a Neve, e a neve meu pé prende?</p>
<p>O Rato mais que ligeiro respondeu:</p>
<p>- Mais forte é o Gato, que me pega!</p>
<p>A Formiguinha correu até o Gato e perguntou:</p>
<p>- Gato, por que você é tão forte que pega o Rato, o Rato rói a Parede, a Parede tapa o Sol, o Sol derrete a Neve e a Neve meu pé prende?</p>
<p>O Gato, que estava fazendo sua limpeza diária, lambendo as patas e passando nos bigodes, respondeu:</p>
<p>- Mais forte é o Cachorro, que me morde!</p>
<p>Então a Formiguinha foi atrás do Cachorro. Encontrou-o descansando na varanda e foi logo perguntado:</p>
<p>- Cachorro, por que você é tão forte que morde o Gato, o Gato pega o Rato, o Rato rói a Parede, a Parede tapa o Sol, o Sol derrete a Neve e a Neve meu pé prende?</p>
<p>O Cachorro, achando divertida a fala da Formiguinha, apressou-se em responder:</p>
<p>- Minha cara Formiguinha, mais forte é o Pau, que me bate.</p>
<p>A Formiguinha achou o Pau jogado no terreiro e perguntou:</p>
<p>- Pau, por que você é tão forte que bate no Cachorro, o Cachorro morde o Gato, o Gato pega o Rato, o Rato rói a Parede, a Parede tapa o Sol, o Sol derrete a Neve e a Neve meu pé prende?</p>
<p>O Pau respondeu:</p>
<p>- Mais forte é Fogo, que me queima.</p>
<p>A Formiguinha foi até o Fogo e, sem se importar com o calor, foi logo perguntando:</p>
<p>- Fogo, por que você é tão forte que queima o Pau, o Pau bate no Cachorro, o Cachorro morde o Gato, o Gato pega o Rato, o Rato rói a Parede, a Parede tapa o Sol, o Sol derrete a Neve e a Neve meu pé prende?</p>
<p>O Fogo, esquentando mais um pouco respondeu:</p>
<p>- Olha Formiguinha, não sou mais forte, mais forte é a Água, que me apaga!</p>
<p>A formiguinha foi até a Água e perguntou:</p>
<p>- Água, por que você é tão forte que apaga o Fogo, o Fogo queima o Pau, o Pau bate no Cachorro, o Cachorro morde o Gato, o Gato pega o Rato, o Rato rói a Parede, a Parede tapa o Sol, o Sol derrete a Neve e a Neve meu pé prende?</p>
<p>A Água, enfastiada com a curiosidade da Formiguinha, respondeu:</p>
<p>- Mais forte é o Boi, que me bebe.</p>
<p>A Formiguinha foi até o enorme Boi, que pastava tranquilamente a grama verde, e perguntou:</p>
<p>- Boi, por que você é tão forte que bebe a Água, a Água apaga o Fogo, o Fogo queima o Pau, o Pau bate no Cachorro, o Cachorro morde o Gato, o Gato pega o Rato, o Rato rói a Parede, a Parede tapa o Sol, o Sol derrete a Neve e a Neve meu pé prende?</p>
<p>O Boi bocejou um bocado, mascou mais um pouco de grama, bufou, mas enfim respondeu:</p>
<p>- Formiguinha, saiba que mais forte é o Homem, que me mata.</p>
<p>A Formiguinha foi até o Homem, que cuidava de seus afazeres no galpão da fazenda, e perguntou:</p>
<p>- Homem, por que você é tão forte que mata o Boi, o Boi bebe a Água, a Água apaga o Fogo, o Fogo queima o Pau, o Pau bate no Cachorro, o Cachorro morde o Gato, o Gato pega o Rato, o Rato rói a Parede, a Parede tapa o Sol, o Sol derrete a Neve e a Neve meu pé prende?</p>
<p>O Homem, aparentemente de mau humor respondeu:</p>
<p>- Besteira, Formiguinha. Mais forte é Deus, que cuida da minha vida.</p>
<p>Aproveitando uma rajada de vendo, a formiguinha flutuou até o Céu, e depois de muito caminhar, encontrou Deus. Subiu à ponta de Seu nariz, e perguntou:</p>
<p>- Deus, por que você é tão forte que cuida da vida do Homem, o Homem mata o Boi,  o Boi bebe a Água, a Água apaga o Fogo, o Fogo queima o Pau, o Pau bate no Cachorro, o Cachorro morde o Gato, o Gato pega o Rato, o Rato rói a Parede, a Parede tapa o Sol, o Sol derrete a Neve e a Neve meu pé prende?</p>
<p>Deus, sentindo cócegas no nariz, não resistiu e soltou um grande espirro. Com isso a formiguinha foi levada pelo vento e caiu na neve macia, bem na frente do seu formigueiro. Ainda assustada com a repentina viagem, pensou consigo mesmo: “Acho que Deus é mais forte que todos&#8230; Melhor eu ficar no meu canto e esperar a neve derreter.”</p>
<p>E assim pensando, aconchegou-se em seu ninho e logo estava dormindo sossegadamente.</p>
<p>Fim!</p>
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